segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Rita responde:

Li os textos enviados e,com relação a avaliação minha questão seria aprofundar os tipos de avaliação especialmente aqueles que seriam mais úteis no Tratamento Comuniutário.
Com relação à sistematização, gostaria de aprofundar se sistematizar não fecha um pouco as portas ào novo, à flexibilidade.
Quando sistematizo algo parece-me que já digo "é assim que vamos fazer". Creio que cada situação é nova e quando se sistematiza algo, meio que já bloqueia o novo. Gostaria de esclarecimentos. Obrigada!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Doralice responde:

Tive poucas oportunidades de experienciar uma atividade de fato avaliada, que avaliasse resultados com indicadores,... As avaliações que pude acompanhar foram mais dirigidas à opinião dos usuários e dos responsáveis pelos serviços. Enquanto trabalhei na Senad achei muito interessante quando contrataram uma avaliadora externa para avaliar um dos cursos à distância que são realizados pela Secretaria. Ela desenvolveu uma série de instrumentos e estratégias que contemplassem boa parte do curso, desde material didático escrito, vídeo-aula, qualidade da tutoria, ... Para isto, entrevistou, aplicou questionários em representantes de todo o processo, desde tutores, parceiros institucionais, supervisores, cursistas, autores,... O resultado deste processo foi muito interessante pois trazia dados significativos para quem era responsável pelo curso. No entanto, caso os gestores não sejam sensíveis de fato a uma avaliação, pode ser um processo que traz resultados mas não modifica a realidade.

Patricia S responde:

Minha experiência na sistematização começou quando, ainda na faculdade, comecei a participar de um projeto de extensão atuando como alfabetizadora de jovens e adultos trabalhadores da construção civil da grande João Pessoa (Projeto Escola Zé Peão). Toda semana tínhamos que fazer o registro das atividades desenvolvidas, os sucessos, as dificuldades e o que estávamos propondo para semana seguinte a partir daquela análise. Era uma atividade penosa, nem sempre prazerosa, pois exigia disciplina, reflexão e sensibilidade com o fazer.
A coordenadora responsável pelo acompanhamento pedagógico fazia a leitura e dava um retorno no momento de apresentação e discussão do planejamento. Foram três anos nesse movimento, hoje sei o quanto esse processo me ajudou e me fez crescer. Não seria a profissional que sou hoje, sem que tivesse vivido essa experiência. Quando sentava para fazer meu relatório tinha que rememorar toda minha prática, sempre acabava vendo as coisas por outro prisma: poderia ter feito assim essa atividade, ou poderia ter usado esse material e não esse...
Lembro que o tema da sistematização fazia parte dos conteúdos discutidos no processo seletivo do projeto. Na formação inicial já fazíamos leitura e discutíamos sobre a importância de sistematizar as experiências. Tínhamos instrumentos (roteiros para o relatório semanal) e trabalhávamos muito com indicadores subjetivos aliados a meta final e principal: alfabetizar jovens e adultos operários da construção civil. Também tínhamos um método, princípios a seguir tudo isso dava um norte a nosso fazer diário.
Outro aspecto importante era o acompanhamento sistemático oferecido aos bolsistas. Para qualquer dúvida, tínhamos um porto seguro para conversar e discutir alternativas de intervenção mais eficazes considerando o contexto e a realidade do aluno. Depois vivenciei a experiência de estar no projeto como coordenadora e de acompanhar e orientar bolsistas, vendo a experiência por outro ângulo. Trabalhando na sistematização dos processos mais gerais, que não diziam respeito somente a minha sala de aula.
Ao começar trabalhar no Centro Dom Hélder Câmara foi difícil, pois tive que me adaptar a toda uma linguagem específica dessa área, compreender a dinâmica da Instituição para assim ter maior clareza do caminho e do ponto de chegada. Como já mencionei anteriormente, sistematização tem haver com disciplina, reflexão e sensibilidade. Acrescentaria ainda a socialização da experiência, garantindo a replicação da prática pedagógica. O desafio está em como fazer de forma significativa gerando prazer e aprendizado para quem esteja envolvido?
Acredito ser necessário compreender que existem várias formas e instrumentos para sistematização. Cada experiência, cada realidade se identificará com um ou outro instrumento dependendo da prática e dos objetivos fins da ação. Temos uma diversidade de ações e também uma diversidade de instrumentos.
A colega tem toda razão quando chama atenção para dicotomia existente: reconhece-se a necessidade da sistematização, mas ao mesmo tempo essa necessidade não é valorizada pelos órgãos financiadores. Deixo como contribuição a seguinte pergunta: como fazer o equilíbrio no processo de avaliação e sistematização dos aspectos qualitativos e quantitativos? Quais os instrumentos mais adequados para mesurar os aspectos qualitativos e uma experiência?

Sergio responde:

Penso ser necessário sistematizar a prática para produzir conhecimento, refletindo sempre sobre o que foi experenciado para aprimorar, torna-la mais consistente, servindo como metodologia de formaçao para outros profissionais.Minhas questões são a respeito da separação que ainda se faz entre avaliação e sistematização, já que o conhecimento é produzido daquilo que é relevante, dados obtido a partir da avaliação.A partir da leitura da conversa entre Cristina Meirelles e Rogério Silva, no texto sugerido, me pergunto se realmente é possível sistematizar qualquer prática, sem inserir juízo de valores naquilo que está sendo investigado, e o quanto esse fator interfere na produção de conhecimento.Participei em 2008, da avaliação do Programa Além das Letras, como pesquisador da casa 7. Tinham sido selecionados 20 municípios cujas secretarias de Educação mantinham programas de formaçao de professores. Os técnicos das secretarias recebiam consultoria pedagógica a distancia, e o projeto foi avaliado após um ano. Passei uma semana em um dos municípios que havia participado da formaçao, fazendo entrevistas, aplicação de questionários e grupos focais com técnicos, coordenadores, diretores e professores, além da aplicação de prova para alunos do segundo ano do ensino fundamental.Os dados foram copilados, avaliados quantitativa e qualitativamente, e os resultados indicaram que o índice de alfabetização e aprovação aumentou de 80% para 90%.Tornou-se clara a necessidade da continuidade do projeto.Posso dizer que foi uma experiência interessante no sentido da efetividade do método, da possibilidade de multiplicar o programa para outros municípios, etc, mas o processo em si é demorado e trabalhoso. Percebo que na prática de fato não temos o hábito de fazer registros de nossas ações, o que dificulta a criação de indicadores para avaliação, sistematização e multiplicação das ações.

Marta responde:

Acredito na importância de sistematizar as experiências para que essas possam ser refletidas e multiplicadas, servindo de referencia para outras pessoas, grupos ou organizações. Meus questionamentos são referentes ao que de fato leva uma experiência singular a influenciar políticas públicas? Sabemos o objetivo do que fazemos e para que fazemos?Registramos nossa prática para construir metodologias, nos fortalecermos e aos outros?Ou reproduzimos práticas já existentes?Tenho visto as dificuldades das ONGS em captarem recursos financeiros para os projetos, e quando se propõe investimento para avaliação e sistematização elas aumentam. Isso me faz pensar se as empresas acreditam de fato na construção de referencias que apóiem a transformação social já que temos informações de que a maioria dos projetos sociais é fragmentada e não gera impactos significativos na vida das pessoas.Participei da realização dos questionários que faziam parte dos instrumentos de avaliação do tratamento comunitário de Efrem Milanese, focalizados nos aspectos que os usuários de drogas manifestavam intenções de mudanças e naqueles que apresentavam maior risco, para a elaboração de estratégias de promoção dessa mudança e melhoria da qualidade de vida. Isso ocorreu durante meu trabalho no Caps AD Lua Nova, que com o fechamento, não acompanhei a sistematização das informações nem a condução dos processos individuais.Agora no Pode Crer, em parceria com a Lua Nova e UNISO, estamos tentando retomar este processo, com novos sujeitos, mas sinto grande resistência dos educadores na compreensão da importância da avaliação, o que acaba por comprometer a pesquisa.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Raquel responde:


No âmbito do projeto social, avaliar é uma arte pois além da dificuldade em entender quais variáveis são as que dependem ou não dependem da sua intervenção , o processo de avaliação e sempre mais lento que os processos de transformação social.
Neste sentido avaliar muitas vezes esta relacionado ao referencial do avaliador .
Estes dias estivemos questionando sobre o valor da avaliação participativa e sobre se seus resultados devam ser considerados , assim como as avaliações acadêmicas.
E a triste conclusão que se chega é que os mesmo0s que pregam que temos que atuar em âmbito comunitário e empoderar os vulneráveis , não acreditam que estes são capazes de avaliar. Como se o dom de avaliar fosse dado somente aos doutores , mestres, acadêmicos. Como se uma avaliação verdadeira tenha que ser aquela onde impera a estatística e todos aquelas funções maravilhosas que só um que sabe usar o Excel pode fazer.
Neste sentido, poder avaliar é ter poder , é saber operar mais que outros.
Confesso que me desiludi com meus colegas. Porque um par , um que passou por uma situação de vulnerabilidade não é capaz de avaliar desde seu ponto de vista , desde sua vivencia e de sua experiência.
Quais os parâmetros da avaliação. Quem pode nos dizer que os logaritmos e os qui 2 são mais verdadeiros que o relato de alguém que sabe e vive o que esta avaliando.
Creio que estamos que os processos de avaliação pelos quais passamos são vários e temos que valorizá-los. Fazemos auto avaliações na Lua Nova, no centro de formação, verificamos os impactos do trabalho que fazemos , perguntamos aos nossos parceiros o que pensam de nos.
Também fazemos follow up , que nos ajuda a entender no tempo o que fizemos.
No caso da sistematização já acredito ser um enorme instrumento de organização e consequentemente de avaliação .
NA medida em que criamos instrumentos de sistematização que permitem que tanto o acadêmico como o parceiro comunitário possa organizar seu fazer, seu pensamento , seu sentimento , estamos não so entendendo melhor sobre nossa pratica e nossos princípios , como estamos principalmente democratizando o processo de avaliação e dando poder aqueles que finalmente merecem recebe-lo.
Este é um sonho, tentamos praticar, mas estamos ainda distantes de fazer com que a avaliação seja um instrumento de construção e não de controle.

SEMANA VIII

INDICADORES, IMPACTOS E
RESULTADOS

Filmes para contribuir na reflexão!

http://www.youtube.com/watch?v=ML1Xq8cv0y4

http://www.youtube.com/watch?v=onQrYYFf2to&feature=related

PERGUNTA DA SEMANA

Você e sua equipe realizam algum tipo de avaliação de seus projetos? Quais indicadores utilizam? Quais são os principais impactos e resultados de suas práticas, o que é que os motiva na execução de seus projetos?